A deputada estadual Secretária Márcia Huçulak (PSD) alerta para a gravidade e do alto custo humano, social, profissional e para saúde dos acidentes de trânsito no Brasil.
Gestora de saúde pública por 36 anos, ela foi chamada a palestrar em painel que debateu o tema durante a Smart City Expo Curitiba, um dos principais encontros de inovação do país, realizado na capital paranaense entre 25 e 27 de março, que este ano debate alternativas para cidades mais inclusivas e conectadas.
“A gente sente uma agonia quando vê os dados”, disse Márcia. “Até porque sabemos que há solução, entre elas coisas simples como respeitar as leis de trânsito.”
Usando o exemplo da pandemia, Márcia destacou um comportamento comum nos acidentes: a pessoa bebe (álcool), insiste em dirigir, causa acidente e as vítimas precisam ser internadas. “Em tempos normais isso é uma sobrecarga grande nos sistemas de saúde e durante períodos da pandemia estava quase faltando leito para atender os pacientes de covid”, disse.
Para Márcia, romper esse cenário é um desafio constante. “As cidades precisam conciliar a mobilidade urbana, que é uma necessidade fundamental, com o cuidado com as pessoas e o impacto na saúde.”
Cenário grave
As soluções para diminuir o problema passam por:
- mudanças no modelo de mobilidade (investindo mais em transporte coletivo e menos no individual)
- respeito às leis de trânsito e fiscalização mais efetiva
- Infraestrutura mais segura
- uso de equipamentos de proteção (capacete, cinto de segurança etc).
O Brasil registra por ano cerca de 453 mil acidentes de trânsito – ou quase 1.250 por dia. O resultado: quase cem mortes por dia, além de inúmeras pessoas com sequelas graves que geram incapacitações longas ou permanentes.
Grande parte das vítimas é jovem, na faixa entre 20 e 29 anos, fase em que as pessoas estão começando a consolidar suas vidas.
Além de problemas pessoais e familiares sérios, os custos para a sociedade são altos em várias frentes. O SUS (Sistema Único de Saúde) gasta por ano com R$ 449 milhões com internações e atendimentos. A frequência é de uma internação por acidente de trânsito a cada dois minutos no país.
De acordo com estimativa da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), os custos com sinistros de trânsito variam entre 1% e 3% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, o que soma entre R$ 117 bilhões e R$ 350 bilhões em custos gerais, como perda de produtividade econômica, elevação de gastos com previdência e saúde, entre outros.



