Secretária Márcia Huçulak: desafios da Enfermagem incluem novas áreas de atuação e atenção integral ao paciente

Quais os desafios e perspectivas da Enfermagem para os próximos anos? E os caminhos para desenvolvimento profissional?

O tema, central para uma categoria que é a maior força de trabalho dos sistemas de saúde, com quase 150 mil profissionais no Paraná, foi abordado pela deputada estadual Secretária Márcia Huçulak (PSD) em palestras nesta Semana da Enfermagem (12 a 20 de maio), para estudantes e profissionais, na Escola Técnica Unitec, de Curitiba, e no Hospital de Pinhais.

De acordo com a ex-secretária de saúde de Curitiba, os profissionais precisam reforçar uma atenção fundamental, mas que muitas vezes pode ser alvo de questionamentos vindos de movimentos anticiência: atuar com base em evidências e protocolos – caso contrário os resultados de saúde podem ser muito prejudicados.

“Enfermagem é cuidado e cuidado é baseado em evidências, que decorrem de estudos, testes, acompanhamentos (de anos, muitas vezes) e comprovações”, afirma a deputada.

A partir do reforço dessa abordagem responsável e comprovadamente eficaz, vem uma série de novas demandas, como a incorporação do uso de novas tecnologias e a necessidade de ampliar a capacidade de comunicação, a fim de promover um atendimento de saúde mais efetivo.

“Os profissionais precisar estar cada vez mais preparados para atender as pessoas de forma integral”, defende Márcia. “Saímos de uma atuação mais isolada, uniprofissional, para uma multiprofissional e integrada, em conjunto com outros profissionais de saúde.”

Segundo ela, cada vez mais será necessário atender não apenas a doença do indivíduo, mas também suas vontades, disfunções, crenças, cultura… “Na doença, é tudo mais complexo. Você não vai cuidar só, por exemplo, de uma pneumonia, mas de um ser humano”, afirmou.

Áreas de crescimento

Num movimento que vem de anos recentes, a Enfermagem também vem tendo uma acentuada ampliação de atuação, com novas atividades e maior ocupação de postos de liderança nos sistemas de saúde.

De acordo com a deputada, áreas em franco desenvolvimento para enfermeiros e enfermeiras são as de regulação e auditoria, telessaúde, empreendedorismo (por meio do crescimento de cooperativas), ensino, pesquisa, além do crescimento do atendimento domiciliar.

As cooperativas, por exemplo, representam um campo de trabalho que se abre, permitindo desenvolver as funções de forma mais flexível.

Já o atendimento domiciliar tende a crescer muito. “Os profissionais de enfermagem precisam se preparar para esse ganho de escala dos atendimentos em casa”, afirma ela.

Mudanças na saúde

Esse cenário se desenha com base em movimentos do setor de saúde como um todo. Márcia lembrou que há quatro dimensões de mudanças muito claras nos sistemas de saúde: transição demográfica (envelhecimento da população), transição nutricional (com mais sobrepeso e alimentação inadequada), transição epidemiológica (crescimento de doenças crônicas) e transição tecnológica (incorporação de tecnologias e maior complexidade clínica).