Sessão solene que celebrou os 150 anos da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), os 26 anos da Fiocruz-PR/Instituto Carlos Chagas e os 16 anos do IBMP (Instituto de Biologia Molecular do Paraná) foi realizada na sexta-feira (15/08) no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná, por iniciativa da deputada Secretária Márcia Huçulak (PSD). Dutante o encontro, foram homenageados 12 profissionais das instituições.
Veja o discurso de Márcia na íntega:
“Senhoras e senhores, sejam todos muito bem-vindos à Assembleia Legislativa do Paraná.
É uma honra receber nessa casa cientistas, pesquisadores, profissionais de saúde e gestores que fazem tanto e há tanto tempo pela saúde do nosso Paraná e do Brasil.
Subo a esta tribuna hoje com a satisfação única de poder celebrar a ciência e a Saúde Pública na sua melhor forma.
Prestar homenagem e reconhecimento a Fiocruz, que completa 125 anos de existência, período em que entre seus muitos frutos gerou a Fiocruz Paraná e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), igualmente homenageados aqui hoje.
Ao se tornar ao longo dos anos um patrimônio nacional e a mais destacada instituição de ciência e tecnologia de saúde de toda América Latina, a Fiocruz também moldou a trajetória do SUS e de quem se dedica à causa da vida.
Uma instituição que nunca se curvou e sempre esteve à altura dos grandes desafios nacionais, como seria de se esperar de uma fundação criada por um gigante como Oswaldo Cruz, no longínquo ano de 1900, batizada de Instituto Soroterápico Nacional.
Homenagear a Fiocruz é, portanto, celebrar a própria História da Saúde no Brasil, uma trajetória que conseguiu a proeza – apesar de todas as dificuldades – de tornar nosso país referência em atendimento universal, vacinação e controle de doenças.
Nada disso seria possível sem a Fiocruz, que foi e é um dos pilares mais valorosos do nosso Sistema Único de Saúde.
Foi a Fiocruz que liderou as campanhas de saneamento e erradicou a febre amarela e a varíola das nossas cidades. Foi em seus laboratórios que se produziram as primeiras vacinas que protegeram gerações de brasileiros contra a poliomielite, o sarampo e a febre amarela. E foram em seus debates que o SUS foi desenhado, estabelecendo a saúde como um direito de todos e um dever do Estado.
O SUS é dentre as políticas públicas a mais abrangente na diminuição das desigualdades sócio-econômicas no nosso país.
Temos o privilégio de abrigar a Fiocruz Paraná-Instituto Carlos Chagas e o IBMP, duas organizações que são a materialização do compromisso da Fiocruz com a descentralização da ciência e da inovação e tecnologiana saúde.
São a materialização, também, do quanto se pode avançar quando os governos federal e estadual atuam em conjunto pelo bem da população – neste caso, uma parceria que mudou a ciência no nosso estado.
Como gestora de saúde por mais de 36 anos, foi gratificante participar da instalação da Fiocruz Paraná, sendo à época (1999) diretora de Serviços de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, quando o governo do Estado não poupou esforços para viabilizar a instalação da nossa unidade regional, que tanto nos orgulha e que nos entrega tantos resultados.
Em 2009 nasce, aqui no Paraná, o Instituto Carlos Chagas – IBMP em plena epidemia da gripe Influenza (H1N1) no país.
A importância dessa presença ficou muito evidente durante o maior desafio sanitário que enfrentamos: a pandemia de covid-19. Naquele período eu era secretária da saúde de Curitiba e vivenciei o papel crucial dessas instituições, cujo apoio foi decisivo durante a crise.
Parceria e agilidade que o momento exigia, mas que não ocorreram em todos os lugares onde era necessário.
Enquanto o país navegava na incerteza, foi em Curitiba que a Fiocruz Paraná, o IBMP e o Governo do Estado montaram em tempo recorde a primeira e maior central de testagem de alto processamento do Brasil. A unidade chegou a processar 11 mil testes RT-PCR por dia, sete em cada dez testes realizados no Paraná.
Essa enorme entrega nos deu a capacidade de diagnóstico rápido, permitindo isolar casos, rastrear contatos e, portanto, salvar vidas.
Testes, é bom lembrar, que seguiram o padrão ouro estabelecido pela Organização Mundial de Saúde.
Além da testagem em massa, os pesquisadores aqui no Paraná se dedicaram ao sequenciamento genômico do vírus, monitorando suas variantes e desenvolveram pesquisas para testes rápidos inovadores.
A Fiocruz teve papel crucial no desenvolvimento das vacinas contra covid-19, num período em que o mundo todo corria contra o tempo. Promoveu acordos de transferência de tecnologia, deu início à produção, entregou milhões de doses país afora…
A vacina, como todos sabem, foi essencial para encerrar os dias sombrios com milhares de mortes.
Estamos falando de ciência, integrada em uma rede nacional de excelência, que nos deu as ferramentas para enfrentar o desafio brutal da covid-19.
Um feito e tanto!
Enquanto um excepcional quadro técnico e científico se debruçava sobre soluções reais, enfrentávamos a praga da desinformação, que até hoje promove ataques cruéis e violentos com base nas mais estapafúrdias teorias conspiratórias.
A Fiocruz sempre demonstrou respeito à Saúde e à vida. Não se vergou à tempestade de obscuridade promovida por aqueles cujo negacionismo não se importava e não se importa até hoje em produzir apenas mais covas nos cemitérios.
Celebrar a Fiocruz e seus profissionais, portanto, é uma forma também de lutar contra a desinformação, contra a negação da ciência, essa verdadeira epidemia do mundo moderno.
Que esse trabalho nunca seja esquecido!
Esse legado, senhoras e senhores, se espraiou pelo Brasil. Segue vivo, pulsante e em expansão aqui no nosso Paraná.
Não posso deixar de mencionar também o papel da Fiocruz como uma escola de pensamento, de produção e divulgação de conhecimento.
Conheço de perto o seu excepcional nível de ensino. Fiz minha especialização em gestão de saúde na Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Não obtive apenas o conhecimento que é imprescindível para sermos eficazes nas nossas funções.
A Fiocruz ajudou a moldar e reforçou minha visão de Saúde Pública, do que significa atender a população por meio de um sistema universal… de que o gestor deve considerar no seu planejamento os determinantes sociais que tanto interferem na saúde da população, mas acima de tudo, que a ciência e o cuidado não podem prescindir do respeito à vida e às pessoas.
Tenho orgulho de ter inoculado ao longo da minha formação e da minha atuação o DNA da Fiocruz, que vai me acompanhar para sempre.
Ao celebrar os 125 anos da Fiocruz, os 26 anos da Fiocruz Paraná e os 16 anos do IBMP não estamos apenas olhando o passado, mas sim reafirmando um compromisso com o futuro. Um futuro em que o SUS seja cada vez mais forte, a ciência seja valorizada e que cada paranaense e cada brasileiro tenha a certeza de que nos mantemos vigilantes, competentes e apaixonados pela Saúde.
O que estamos fazendo aqui hoje, senhoras é senhores, é uma celebração da vida, da razão e do conhecimento.
Para finalizar, também não posso deixar de mencionar nosso querido amigo e parceiro Marco Aurélio Krieger, que nos deixou tão prematuramente em abril deste ano, aos 60 anos de idade.
Marco Aurélio era o vice-presidente de Produção e Inovação da Fiocruz nacional. Foi decisivo para instalação do Instituto de Biologia Molecular do Paraná, onde atuou com o brilhantismo caracterizou toda sua carreira. Era uma referência em imunização e vacinas.Teve um papel de destaque na luta contra covid-19 e fortaleceu enormemente a pesquisa para políticas públicas no SUS.
Marco Aurélio ainda tinha muito a contribuir com a Saúde Pública brasileira, mas seu trabalho – ninguém tenha dúvidas – salvou e continuará salvando muita gente.
Aos familiares aqui presentes minha homenagem a esse grande brasileiro.
Encerro deixando um profundo agradecimento à Fiocruz por sua incrível trajetória!
Parabéns!
Parabéns, IBMP.
Parabéns aos gestores, pesquisadores, técnicos e servidores.
O Brasil e o Paraná agradecem.
Muito obrigada!”



