21 de agosto de 2026
Secretária Márcia: como o sistema de saúde tem de ser para enfrentar crises

A deputada estadual Secretária Márcia Huçulak (PSD) destacou a importância de sistemas de saúde robustos e do bom preparo dos profissionais para enfrentar os desafios na saúde, principalmente em períodos de crise, como foi a recente pandemia de covid-19.
Em palestra para universitários do curso de Odontologia da Universidade Positivo nesta sexta-feira (21/08), ela também abordou os danos causados pelos movimentos anti-ciência e antivacina.
Para Francielle Topolski, coordenadora do curso de odontologia da universidade, a participação de Márcia foi um ótimo complemento aos ensinamentos teóricos passados aos alunos. Francielle lembrou que Márcia esteve à frente da saúde de Curitiba no momento da pandemia de covid-19, período em que se destacou pela comunicação assertiva e empática sobre os encaminhamentos necessários.
Sistema robusto
Gestora de saúde por 36 anos, Márcia destacou em sua fala a importância da robustez do sistema de saúde para enfrentar adequadamente crises, além de prover o atendimento regular da população.
Ela comparou a estrutura da capital paranaense (que é referência no país) com outras capitais no enfrentamento da covid-19. De acordo com Márcia, se a estrutura e o desempenho de Curitiba durante a pandemia fosse igual a, por exemplo, os de Manaus, poderíamos ter tido um número de mortos cinco vezes maior na pandemia. Em Curitiba foram cerca de 8.000 óbitos por covid-19.
“Nosso sistema tem estrutura hospitalar, logística, regulação, informação, prontuários eletrônicos [que agilizavam as testagens] que fizeram muita diferença”, lembrou Márcia. “Pudemos agir rapidamente.”
Negacionismo e vacinação
Movimento que se intensificou na pandemia, o negacionismo da ciência e das vacinas foi alvo de análise da deputada.
Questionada sobre o recente episódio envolvendo Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos, Márcia foi clara: tratou-se de uma situação criada por senadores adeptos do negacionismo que se utilizaram posteriormente de mentiras sobre a sessão de que ele participou.
“Foi uma polêmica política, não técnica, eles não queriam discutir ciência”, avalia. “Fauci é um grande cientista”, completa, sobre o ex-conselheiro de saúde da presidência dos Estados Unidos.
O episódio foi usado pelos negacionistas da pandemia para colocar em dúvida a eficácia das medidas contra covid-19.
“Tem gente que acredita que a Terra é plana e que a vacina faz mal, apesar de ela ter salvado milhões de pessoas”, diz Márcia.
Márcia Huçulak explicou que a ciência tem por característica inerente pressupor dúvidas. “É claro que a covid-19 gerou muita dúvida, principalmente no começo”, lembrou.
Segundo ela, no entanto, os negacionistas se utilizam dessa característica da ciência para dizer que tudo o que foi feito durante a pandemia foi errado. “Mas fomos aprendendo a lidar com aquele vírus com o passar do tempo e das experiências”, ressaltou.
Com o crescimento do movimento negacionista nos Estados Unidos, o problemas se agravou. Este ano, o governo norte-americano reduziu de 17 para 11 o número de vacinas recomendadas universalmente para aplicação na população.
Segundo Márcia, essa e outras medidas tomadas colocaram o país em nova crise – vêm ocorrendo sérios surtos de sarampo, por exemplo. “Foi uma decisão errática, sem base em nenhuma evidência científica, que está causando problemas gravíssimos”, afirma.
Profissionais
A palestra também abordou a capacitação necessária para os profissionais de saúde atualmente.
Márcia, que tem mestrado em Londres e especialização na Fiocruz em gestão de saúde, ressaltou a importância da comunicação por parte dos profissionais.
“O bom profissional de Saúde tem de se conectar com as pessoas”, disse. Ela ponderou que pesquisas em países mais avançados mostram que metade das pessoas que saem dos serviços de saúde não entenderam o que foi orientado, e entre os restantes, metade não consegue aplicar aquelas orientações. Fato que é comprovado no dia a dia dos sistemas de saúde no Brasil.
“Profissional de saúde precisa saber se comunicar”, explicou. “Muita gente sai de uma consulta sem ter entendido que precisa fazer um exame, fazer algum procedimento, como tomar a medicação… Então, precisa haver comunicação mais eficaz.”
