A construção do contorno ferroviário de Curitiba – e a consequente retirada da circulação de trens de carga do ambiente urbano da capital – não pode ficar de fora das prioridades da Agência Nacional de Tranportes Terrestres (ANTT), medida que exige mobilização dos agentes políticos do Estado para ser viabilizada.
O alerta foi feito pela deputada Márcia Huçulak (PSD) nesta segunda-feira (22/06) em discurso no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná. Márcia tratou do tema na semana passada com o prefeito Eduardo Pimentel e com o deputado federal Beto Preto. O presidente da Alep, Alexandre Curi, já havia encampado a iniciativa, após a ANTT não ter incluído a obra de Curitiba no rol de obrigações para nova concessão da Malha Ferroviária Sul, cuja licitação deve ocorrer no ano que vem. Requerimento da Casa formaliza o pedido de inclusão junto ao Ministério dos Transportes e à ANTT.
“Temos a chance de unir forças em torno de um tema estratégico, que se arrasta há 30 anos e, concretamente, trará enormes benefícios para Curitiba, com reflexos positivos na logística de todo o Paraná”, disse a deputada.
Trata-se de uma demanda antiga da capital, cujo crescimento gerou a situação atual. A linha férrea foi sendo construída por etapas no início do século 20. Hoje, trens de carga atravessam 37 quilômetros de área urbana em bairros das regiões Sul e Leste, com 45 passagens de nível para pedestres e veículos, lembrou a deputada.
A sinalização e as medidas de prevenção nos 45 cruzamentos não são suficientes para evitar acidentes. Entre 2020 e 2026, foram 293 na capital, com 29 mortes.
De acordo com a deputada, o modal ferroviário é de grande importância para economia e para a logística do Paraná, mas não pode mais disputar espaço com carros, motos, bicicletas e pedestres na capital.
Pode entrar
Apesar de não ter incluído a obra no cronograma de prioridades, a ANTT emitiu nota deixando aberta a possibilidade de incluí-la no atual lote de concessões, previsto para o ano que vem.
Segundo Márcia, essa possibilidade exige esforço das forças políticas do Paraná “para tornar possibilidade em realidade”.
“Mais 30 anos de espera não é uma opção”, afirmou.
Fases
Márcia lembrou que a inclusão na ANTT é o primeiro passo de um processo que necessitará de atenção por bastante tempo até ser implementado. E citou o exemplo da Ponte de Guaratuba, “que de obra impossível se tornou realidade”.
De acordo com ela, são processos muito diferentes, mas a ponte mostra como é possível superar desafios e concretizar grandes entregas para a população.


